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‘Espanha inventou o racismo que conhecemos hoje’, diz historiador

Foto: Reprodução / Getty Images

Os Desafios da Luta Contra o Racismo na Espanha: Especialista Aponta para a Necessidade de Novas Leis Diante de Aumento de Casos.

A sombra do racismo paira, persistentemente, sobre a Espanha, país com uma longa história de discriminação racial. Antumi Toasijé, presidente do Conselho para Eliminação da Discriminação Racial ou Étnica (Cedre) do Ministério da Igualdade espanhol, aponta para a necessidade urgente de medidas mais robustas para conter e punir atos de preconceito, conforme evidenciado pelos recentes ataques ao jogador brasileiro Vinícius Júnior.

Historiador e professor na New York University em Madrid, Toasijé argumenta que o racismo possui raízes profundas na Espanha, afirmando que o país está vivendo um momento de retrocesso. O especialista, de ascendência hispano-colombiana, alerta para a insuficiência das leis atuais na contenção do crescimento do racismo e da extrema-direita.

Segundo Toasijé, a Espanha “inventou o racismo como conhecemos hoje” durante os conflitos entre cristãos e mouros na Idade Média. Por anos, perpetuou políticas discriminatórias contra imigrantes do norte da África e, mais recentemente, desenvolveu uma intensa busca por “afirmação da sua branquitude”, sentindo-se alijada do restante da Europa. Este passado, argumenta o especialista, reflete diretamente na discriminação racial presente na sociedade espanhola atual.

Dados da Federação SOS Racismo apontam um crescimento de mais de 30% nas denúncias de discriminação racial na Espanha entre 2013 e 2021. Entretanto, a situação pode ser ainda mais grave: segundo pesquisa realizada pelo Cedre, 81,8% das vítimas de racismo não prestam queixa às autoridades.

Toasijé destaca a problemática ligação entre o avanço da extrema direita e o crescimento exponencial do racismo na sociedade. Ele observa que o racismo nos campos de futebol repercute em outros setores da sociedade, especialmente entre os jovens. O episódio com Vinícius Júnior, conhecido como Vini Jr., foi um exemplo doloroso disso.

No último domingo (21/5), durante uma partida entre Valencia e Real Madrid, torcedores ofenderam o jogador brasileiro com insultos racistas. O incidente levou o Real Madrid a apresentar uma denúncia na Procuradoria-Geral da Espanha por crimes de ódio e discriminação.

Para Toasijé, a falta de leis precisas e concretas dificulta o trabalho do Conselho na assistência às vítimas de racismo. Ele critica a ineficácia da legislação atual, apontando que as normativas referentes a casos de discriminação no esporte são frágeis e negligenciadas pelas autoridades.

O historiador enfatiza que países como Alemanha, França e Reino Unido possuem legislações mais amplas e preparadas para lidar com casos de racismo no esporte e em outras circunstâncias. Embora cada país tenha seus próprios desafios, Toasijé insiste que a Espanha precisa aumentar seus esforços na luta contra o racismo.

Em resposta aos ataques contra Vini Jr., a Comissão Estatal contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Esporte, parte do Ministério da Cultura e Esporte da Espanha, afirmou que está analisando imagens para identificar os autores e propor sanções. Contudo, o desafio persiste e a Espanha tem um longo caminho a percorrer para erradicar o racismo de sua sociedade.

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